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Artéria facial: trajeto, profundidade e variações
Os três padrões de trajeto da artéria facial, a profundidade em relação aos músculos e as zonas de maior risco em preenchimento.
Autor Original: Hyung-Jin Lee, Seong-Yoon Won, Jehoon O, Kyung-Seok Hu, Seo-Young Mun, Hun-Mu Yang, and Hee-Jin Kim
4Minutos de Leitura

Dra. Camila Dias
Cofundadora da Facial Academy
Artéria facial: trajeto, profundidade e variações.
A artéria facial não segue um trajeto único. Um estudo com dissecação de 54 faces identificou três padrões distintos: o nasolabial, presente em 51,8% dos casos; o nasolabial com tronco infraorbital, em 29,6%; e o frontal, em 18,6%.
A zona de maior risco é a região superomedial ao canto da boca, entre o sulco nasolabial e a asa do nariz. Ali, em 85,2% dos casos, os ramos da artéria facial estão na camada subcutânea, logo abaixo da pele.
Por que a profundidade importa mais que o trajeto?
Os manuais de anatomia geralmente descrevem um trajeto tortuoso e previsível para a artéria facial, subindo da mandíbula em direção ao nariz. Contudo, essa visão é simplista.
A segurança dos preenchimentos depende da camada de injeção, seja no subcutâneo, entre fibras musculares ou junto ao periósteo. Injetar no plano errado compromete o resultado estético e aumenta drasticamente o risco de compressão ou lesão vascular. O que faltava era um entendimento claro da relação entre a artéria facial e as camadas de músculos faciais.
Pesquisadores realizaram uma dissecação meticulosa em 54 faces de cadáveres para mapear o trajeto e a profundidade da artéria facial e seus ramos. O objetivo foi criar um guia prático para cirurgiões e para profissionais de estética que realizam preenchimentos.
Quais são os três padrões da artéria facial?
O estudo revelou que a artéria facial pode ser classificada em três tipos principais com base em seus ramos terminais, em vez de seguir um padrão único. Cada tipo foi subdividido conforme a profundidade em relação aos músculos faciais.
Tipo | Padrão | Frequência |
Tipo I | Nasolabial | 51,8% |
Tipo II | Nasolabial com tronco infraorbital | 29,6% |
Tipo III | Frontal | 18,6% |
Tipo I: onde a artéria corre no padrão nasolabial?
Este é o padrão mais comum, onde a artéria facial termina como a artéria nasal lateral, irrigando a região dos lábios e do nariz.
Subtipo Ia (37,0%): a artéria corre superficialmente aos músculos levantador do lábio superior e orbicular da boca. Alerta clínico: nesta variação, a artéria está mais próxima da pele na região do sulco nasolabial, exigindo extrema cautela.
Subtipo Ib (14,8%): todos os ramos da artéria facial estão localizados profundamente aos músculos faciais. Este cenário oferece uma janela de segurança maior para injeções subcutâneas.
Tipo II: por que a região infraorbital exige mais cuidado?
Neste tipo, além do tronco nasolabial, há um tronco arterial separado que corre em direção à área infraorbital.
Subtipo IIa (16,7%): o tronco nasolabial é profundo, mas o tronco infraorbital corre superficialmente ao músculo zigomático maior. Alerta clínico: a região infraorbital e a do sulco nasojugal, ou seja, das olheiras, tornam-se áreas de alto risco, pois a artéria está mais superficial.
Subtipo IIb (12,9%): ambos os troncos, nasolabial e infraorbital, seguem um trajeto mais superficial. Esta é uma das variações de maior risco para complicações vasculares durante o preenchimento de olheiras e do terço médio da face.
Tipo III: quando a artéria fica sem cobertura muscular?
Aqui, o ramo terminal da artéria facial termina como a artéria angular, na região medial do olho.
Subtipo IIIa (16,7%): a artéria não é coberta por músculos na região do lábio superior e na área lateral do dorso do nariz. Alerta clínico: sem a proteção da camada muscular, a artéria fica vulnerável a lesões por agulhas ou cânulas nessas zonas.
Subtipo IIIb (1,9%): uma variação rara onde um tronco arterial profundo adicional está presente.
Qual é a zona de maior perigo?
A região superomedial ao canto da boca, entre o sulco nasolabial e a asa do nariz, é particularmente traiçoeira. Em 85,2% dos casos, os ramos da artéria facial estavam localizados na camada subcutânea, logo abaixo da pele.
Eritema, hematomas e necrose superficial são mais prováveis nesta região. O conhecimento dessas variações anatômicas permite ao injetor selecionar a camada de aplicação mais segura.
O que isso muda na sua técnica?
A mensagem do estudo é direta: a anatomia da artéria facial é variável, e sua profundidade é determinante para a segurança dos procedimentos.
A escolha entre agulha e cânula, bem como a profundidade da injeção, deve ser informada por esse conhecimento anatômico detalhado, e não por uma regra única aplicada a todos os pacientes.
A era dos preenchimentos faciais exige um nível de sofisticação anatômica que vai além do básico. Ao compreender as variações e identificar as zonas de maior risco, os profissionais podem aprimorar suas técnicas, garantir a segurança do paciente e entregar resultados estéticos com muito mais confiança.
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